Vida de expat nos EUA: como manter o vínculo com quem ficou
A distância não precisa significar desconexão — aprendi que combinar tecnologia, videochamadas regulares e visitas planejadas transforma a solidão do expat em laços duradouros.
Tem um momento que bate em quase todo expat em algum ponto — geralmente numa noite de semana aleatória, quando você está sentado no apartamento e de repente cai a ficha de que todo mundo com quem cresceu está dormindo do outro lado do mundo. Depois de 15+ anos em Singapura e agora morando na Bay Area, já faço esse negócio de família à distância há um bom tempo. Mas a mudança pra os EUA adicionou uma distância totalmente nova da minha família no Vietnã.
Não vou fingir que tenho isso perfeitamente resolvido, mas aprendi algumas coisas sobre manter relacionamentos através de fusos horários que acho que podem ajudar se você está passando pela mesma coisa.
O desafio do fuso horário é real
Entre a Califórnia e o Vietnã, há uma diferença de cerca de 15 horas. Singapura é mais ou menos igual. Isso significa que quando estou tomando meu café da manhã, minha família está se preparando pra dormir. Quando Sophie tem algo animador pra contar depois da escola, é de madrugada lá. Você aprende a ser criativo com os horários :P
A tecnologia é sua melhor amiga (mas como você a usa que faz a diferença)
As ferramentas são óbvias — FaceTime, WhatsApp, Zoom. O que realmente faz a diferença é criar hábitos específicos em torno delas, em vez de só ter os apps instalados:
- Álbuns de fotos compartilhados — Mantemos um álbum compartilhado no Google Fotos que minha mãe verifica diariamente. Sempre que Sophie faz algo na escola ou eu faço algo que me lembra de casa, jogo uma foto lá. Minha mãe faz o mesmo do Vietnã. Não é uma conversa, mas cria um fio contínuo da vida de cada um que faz a videochamada semanal parecer menos um "colocando o papo em dia" e mais uma continuação.
- Mensagens de voz em vez de texto — Minha família mudou de texto pra mensagens de voz no WhatsApp pra maior parte da comunicação. Ouvir o tom e a risada de alguém carrega muito mais do que palavras digitadas. Sophie manda mensagens de voz em vietnamita pra avó, e minha mãe as ouve em repetição.
- Presença ambiente — Às vezes deixo uma videochamada rodando no balcão da cozinha enquanto faço o jantar, e minha mãe faz o mesmo. Ninguém está "conversando" — estamos apenas existindo no espaço um do outro por um tempo. Parece estranho, mas funciona.
Estabeleça uma agenda regular
Isso foi um divisor de águas pra mim. Em vez de chamadas esporádicas quando os dois estávamos livres (o que raramente coincidiu), estabelecemos um horário semanal fixo pras videochamadas. Cria um ritmo e elimina o "quando devo ligar?"
Pra nós, os finais de semana funcionam melhor — sábado de manhã no horário da Califórnia é sábado à noite no Vietnã. Virou algo que todo mundo espera.
Compartilhe sua vida proativamente
Acho que uma das coisas que fazem a distância crescer não é só a separação física — é a crescente lacuna nas experiências compartilhadas. Quando você está a 13.000 km de distância, sua família não vê sua vida cotidiana, e você não vê a deles.
Por isso faço questão de compartilhar coisas — fotos das atividades escolares da Sophie, como é nosso bairro em diferentes estações, até mesmo o que fiz pra jantar. Parece pequeno, mas ajuda os entes queridos a se sentirem conectados à sua vida aqui. E peço que façam o mesmo.
Planeje visitas com intenção
Nada substitui estar na mesma sala. Tento planejar viagens de volta ao Vietnã e, quando possível, convido a família pra nos visitar na Califórnia. Mostrar pra minha mãe a Bay Area, levá-la ao mercado de agricultores em Foster City — essas visitas criam memórias que sustentam o relacionamento entre as chamadas.
Sei que as visitas podem ser caras e demoradas, e nem todo mundo consegue fazê-las com frequência. Mas mesmo uma visita por ano pode fazer uma enorme diferença.
Mande coisas, não só mensagens
Caixas de presentes funcionam nos dois sentidos e importam mais do que você imagina. Minha mãe nos manda produtos secos e salgadinhos do Vietnã que não encontramos aqui. Mandamos de volta guloseimas americanas e coisas pros primos da Sophie.
No dia a dia, o Weee! entrega mantimentos asiáticos nos EUA e já usei pra mandar itens específicos pra amigos da família que acabaram de se mudar. Se sua família no exterior está no Sudeste Asiático, você pode surpreendê-la com uma entrega de comida pelo Grab ou Foodpanda — pedir o almoço pra sua mãe estando a 13.000 km é uma pequena coisa que tem um peso diferente. Celebrar feriados juntos por videochamada também ajuda a diminuir a distância.
Encontre sua comunidade local
A vida de expat pode ser solitária, especialmente no começo. Conectar-se com outras pessoas passando por experiências semelhantes — outras famílias vietnamitas, outros expats asiáticos, outros pais navegando os mesmos desafios — faz uma diferença real. Não substitui sua família em casa, mas te dá uma rede de apoio aqui.
Descobri que construir amizades com outros expats também te dá pessoas que entendem a saudade e o malabarismo sem você ter que explicar :)
Seja honesto sobre as partes difíceis
Alguns dias são mais difíceis do que outros. Perder o aniversário de um familiar por causa do fuso horário, não estar lá quando alguém fica doente, ver Sophie crescer sem contato diário com os avós — essas coisas pesam. Não acho que haja um hack pra isso. Você só tem que reconhecer as trocas e aproveitar ao máximo o tempo que tem.
Na minha experiência, a chave é consistência sobre intensidade. Pequenos pontos de contato regulares importam mais do que uma grande reunião anual (embora essas também sejam ótimas :D).
O que funcionou pra você pra manter o contato com quem ficou? Adoraria ouvir sua abordagem — estou sempre em busca de novas ideias.
Abraços,
Chandler
P.S. Criei um grupo no Facebook chamado Asian Expats in the US onde compartilhamos dicas e nos apoiamos. Fique à vontade pra entrar.





