Resposta aos 9 pecados do Google Analytics
Analiso o artigo dos "9 pecados do Google Analytics", abordando preocupações sobre propriedade dos dados, suporte limitado e relatórios — e revelo quais críticas são válidas e quais erram o alvo.
Este post foi escrito em 2011. Alguns detalhes podem ter mudado desde então.
Tem um artigo hoje no Search Engine Journal chamado "9 sins of Google analytics". Como fã de analytics, quero dar minha opinião sobre o assunto.
1. Propriedade dos dados
Lá em 2006, escrevi um texto simples sobre "Google conversion tracking pros and cons". No artigo, falei sobre questões antitruste e sobre o fato de que o Google poderia usar dados do Google Analytics/conversion tracking para beneficiar o programa Adwords. Mais precisamente, os dados de Analytics poderiam ser usados para ajudar o Google a determinar o custo por clique médio que os anunciantes estão dispostos a pagar por determinados tipos de conversão. Além disso, os dados de Analytics poderiam ser usados em ferramentas como o DoubleClick Ad Planner — que é gratuito, mas que promove a Google Display Network no processo.
O Google se tornou cada vez mais presente no cotidiano online, o que mostra o quanto a empresa cresceu em poder. A questão de privacidade, no entanto, continuará sendo muito importante. Para ter uma visão melhor sobre quais dados o Google poderia ter, confira este artigo "The Evil Side of Google? Exploring Google's User Data Collection" de Danny Dover, publicado em 2008. Basicamente cada clique que você dá, cada formulário que preenche, cada busca que faz nas propriedades do Google, sua foto, suas conexões de amigos, seus vídeos, músicas, hábitos de navegação, número de telefone, celular, nome do seu pet etc... TUDO pode ser coletado por meio de um vasto número de serviços do Google. Isso explica por que várias tentativas de infiltrar o banco de dados do Google foram feitas.
Antes de esse post virar uma discussão sobre privacidade, vamos ao ponto relacionado. Uma das grandes desvantagens de não possuir os dados é que você não pode personalizar a ferramenta de analytics para gerar diferentes tipos de relatório como quiser, nem integrá-la com outras ferramentas que sua organização usa de forma eficaz. Com um data warehouse, dá pra fazer maravilhas com os dados armazenados coletados via analytics. Mas somente uma porcentagem muito pequena de empresas/usuários precisaria desse nível de sofisticação.
2. Suporte limitado ao Google Analytics
Isso é totalmente verdade. Como o Google Analytics é um produto gratuito, se você tiver dúvidas sobre ele, é melhor "Googlar" você mesmo. É meio justo, já que o produto é de graça. Se você ainda não sabe, o Google tem um site dedicado ao Google Analytics com respostas para a maioria das perguntas comuns: suporte do Google Analytics. Tem também o Centro de Educação, que oferece uma visão geral mais completa da ferramenta. E isso também é gratuito.
3. Relatórios mediocres
O autor mencionou que a capacidade de relatório do Google Analytics não é tão boa quanto a de algumas outras ferramentas. Bem, acho que esse ponto merece uma reflexão mais estratégica. Pessoalmente, Avinash Kaushik é um dos meus "ÍDOLOS" quando se trata de analytics. Ele é um evangelista de web analytics. Em um dos seus livros, "Web Analytics an hour a day", Avinash compartilhou seus pensamentos sobre relatórios de analytics de forma muito clara. Um relatório é sem sentido se você não consegue tomar alguma ação após analisá-lo — ou seja, Insights Acionáveis! Então, antes de concluir que o Google Analytics ou qualquer outra ferramenta tem relatórios mediocres, precisamos deixar claro quais relatórios essas ferramentas não conseguem gerar e qual é o significado/motivação por trás deles. O próximo passo é avaliar se o benefício adicional justifica o investimento necessário (se houver).
4. Limites nas variáveis definidas
Meu pensamento sobre esse ponto é o mesmo do ponto 3. É verdade que não dá para definir/alterar facilmente a definição de variáveis no Google Analytics. A palavra-chave aqui é fazer isso facilmente. O Google Analytics permite variáveis personalizadas. Tenho a impressão de que a motivação por trás das variáveis personalizadas é a capacidade de fazer segmentação — e hoje essa capacidade melhorou consideravelmente com o Google Analytics. Antes, era um dos principais argumentos de venda de soluções mais avançadas e caras. Hoje você pode fazer segmentação facilmente para:
- Novos visitantes
- Visitantes recorrentes
- Tráfego de pesquisa paga
- Tráfego de pesquisa não paga
- Tráfego de pesquisa
- Tráfego direto
- Tráfego de referência
- Visitas com conversões
- Visitas com transações
- Tráfego mobile
- Visitas sem rejeição
Ou você pode fazer segmentação avançada usando diferentes dimensões como visitantes, fontes de tráfego, conteúdo, e-commerce, sistemas e métricas como uso do site, e-commerce, conteúdo e metas.
Se você quiser exportar dados do Google Analytics, consulte este link.
5. Entrega de dados lenta
Ok, não testei o tempo exato de atraso do Google Analytics, e concordo que, se a necessidade de ter dados em tempo real é muito importante para o seu negócio, o Google Analytics pode não ser a melhor solução. Pessoalmente, o atraso não me incomoda. São 6h34 da quinta-feira, 24 de fev de 2011, e já consigo ver os dados de quinta-feira 24 de fev de 2011 no meu relatório de analytics.
Antes de sair comprando uma ferramenta de Analytics em tempo real, sugiro seguir o conselho de Avinash Kaushik novamente. Aplique o teste "E daí?" três vezes.
6. Falta de arquivos de log
Não é muito comum admitir no blog que você não entende alguma coisa. Mas, nesse ponto, honestamente não entendo bem o que Annie está tentando dizer. Pessoalmente, nunca usei arquivos de log para incrementar a capacidade analítica.
Imagino que a autora esteja falando sobre a capacidade de exportar seus dados de alguma forma. Encontrei este link e, embora nunca tenha testado, parece que o Google permite exportar dados via API.
7. Sem rastreamento de spiders
Pessoalmente, não vejo muita utilidade em rastrear spiders (bots de mecanismos de busca) via Google Analytics. O Google já tem uma excelente ferramenta para webmasters e praticantes de SEO: o Google Webmaster Tools. Se você quer acompanhar o movimento de spiders — espero que para fins de Search Engine Optimization — precisa usar o Webmaster Tools e não depender apenas do Analytics.
Na minha opinião, qualquer tecnologia de rastreamento via JavaScript não consegue rastrear spiders, porque quando um spider visita um site, ele não aciona a função JavaScript para executar. Portanto, não é só o Google Analytics — o Omniture e vários outros sistemas também não conseguem fazer isso. Mas o ponto principal é que esse recurso, na minha humilde opinião, não é muito desejável no Google Analytics.
8. Tráfego de pesquisa paga sendo exibido como tráfego orgânico
Tecnicamente, a maioria das tecnologias de rastreamento enfrenta esse problema. E não é uma grande questão de qualquer forma, porque com o Google Analytics você pode ativar o auto-tagging na sua conta do Google Adwords (ativado automaticamente por padrão) ou pode marcar a URL usando o URL tool builder — e então você consegue ver claramente o tráfego de pesquisa paga e orgânica.
A forma como as tecnologias de rastreamento do Analytics funcionam é identificando a fonte (URL de origem) do tráfego recebido e classificando-o em diferentes categorias. Se o tráfego vem do Google/Yahoo, cai na seção de mecanismo de busca. Sem informar à ferramenta qual parte do fluxo de tráfego é de pesquisa paga e qual é de pesquisa orgânica via gerenciador de campanhas, qualquer ferramenta de analytics ficaria no escuro e não conseguiria identificar.
9. Receita por e-mail desconhecida
Fico um pouco preocupado com essa afirmação, porque, pelo que sei, a maioria das outras soluções de Web Analytics também não consegue reportar automaticamente a receita de uma fonte específica. E todas elas, incluindo o Google Analytics, oferecem uma solução muito simples para rastrear receita, conversões ou qualquer dado de e-commerce de uma fonte de tráfego específica usando uma simples tag. Com o Google Analytics, você pode usar novamente o URL tool builder. Depois de ativar a função de rastreamento de e-commerce no Google Analytics, você pode ver facilmente dados como item vendido, quantidade, receita total, a fonte da conversão, data da venda etc. Seja e-mail, banner, campanha no Facebook ou campanha de afiliados, o Google Analytics rastreia tudo — desde que você identifique essas fontes e coloque a tag de rastreamento correta. Isso é padrão para outras tecnologias de rastreamento também.
Por último, mas não menos importante, percebi que Annie Wallace, autora do post no Search Engine Journal, é uma profissional de marketing viral autodidata. Então, embora muitos dos pontos do post dela sejam abertos para discussão, digo que ela foi bem-sucedida em criar um efeito viral com 16 comentários até agora, 204 tweets e 119 compartilhamentos. Os números podem crescer ainda mais nos próximos dias!
Abraços, Chandler

