Resposta a "Agency, position thyself" de Greg Paull
Já cometi o erro de tentar ser uma agência full-service, mas aprendi da forma mais difícil que correr atrás de todas as tendências digitais significa nunca igualar a qualidade de execução dos especialistas.
Deparei com este post brilhante de Greg Paull nesta semana intitulado "Agency, position thyself" na Campaign Asia. Juntando este post e o de Tim Williams "The Disappearing Agency of Record", acho que não tenho muito mais a acrescentar sobre o tema. Tenho apenas uma palavra: "concordo totalmente". O fato de todo mundo tentar fazer tudo é um fenômeno que temos visto há algum tempo (desde os primórdios da publicidade?) e tenho que admitir: eu mesmo cometi esse erro várias vezes. Em vez de repetir o que Greg ou Tim já disseram, vou tentar explicar alguns motivos pelos quais acho que as agências têm tentado fazer tudo sob um mesmo teto, se posicionando como agências "full service".
1. Todo mundo quer se tornar o "consultor de confiança"
Sim, ouço muito essa expressão entre as agências. No fundo, é um objetivo nobre para qualquer agência — o consultor de confiança normalmente consegue a maior fatia do investimento (ou dos honorários) e mantém o relacionamento com o cliente por mais tempo. E para ser o consultor de confiança, o cliente precisa depender de você para executar suas campanhas com perfeição — por isso você quer ter o conhecimento/expertise de tudo, ou pelo menos ampliar seu escopo.
2. Com o crescimento do marketing digital, parece bobagem não expandir para novos canais/serviços digitais?
O digital cresceu muito rápido, então cometi o mesmo erro — tentei expandir para outros serviços para capturar uma fatia maior do bolo. A dura realidade que aprendi foi que nunca conseguiria ser tão bom quanto as empresas especializadas. Podemos até empatar do ponto de vista conceitual, mas a execução é outro nível — e as empresas especializadas geralmente executam muito bem. Mesmo assim, tomei a decisão de expandir para outros serviços, justamente para nos posicionar como consultores de confiança e conseguir contas maiores, campanhas maiores e ficar mais próximos dos nossos clientes. Mas a margem dos novos serviços não chegava perto da nossa área principal, e aprendemos da forma mais difícil que precisávamos de uma estrutura organizacional completamente nova para cobrir os novos serviços — e o investimento inicial não era tão pequeno quanto imaginávamos. Outra forma de expandir para novos serviços é por M&A, que muitas empresas escolhem.
3. Preocupação genuína com a qualidade feita por terceiros
Sim, essa preocupação é real, mas pode não justificar fazer tudo internamente. É verdade que colaborar com outras agências é muito mais difícil do que trabalhar com seus colegas na mesma sala. E quando algo falha, é muito mais fácil colocar a culpa no outro. Além da qualidade, o prazo também é um fator importante. Toda agência vai querer adotar uma posição "segura" para sua própria operação, então projetos urgentes são difíceis de gerenciar. É essencial que quem faz o papel de gerenciamento de projeto entre diferentes agências tenha um bom relacionamento com todos os stakeholders e entenda perfeitamente o fluxo da campanha. Normalmente um account manager forte consegue fazer isso bem. O post ficou um pouco curto e tenho certeza de que existem muitos outros motivos pelos quais uma agência gostaria de se posicionar como full service — mas meu pensamento aponta para o contrário. E você, o que acha? Abraços, Chandler