Yuval Noah Harari e Jared Diamond em conversa no Brasil — nov. 2019
Dois gigantes intelectuais discutem o santuário digital, o impacto desigual da automação e por que precisamos urgentemente repensar a educação antes que a IA remodele tudo.
Recentemente, no Brasil, dois dos meus autores e pensadores favoritos de todos os tempos — Jared Diamond e Yuval Noah Harari — tiveram uma conversa mediada por Ronaldo Lemos durante o evento 'Global Citizen' no Teatro Santander, em São Paulo. A conversa durou cerca de 45 minutos. Recomendo que todo mundo assista. Como historiadores, ambos têm perspectivas de centenas de milhares de anos e nos ajudam a enquadrar o que está acontecendo em contexto histórico. Eles analisaram tópicos variados como o impacto das redes sociais e o vício em tecnologia, a eficácia dos mitos ou narrativas ficcionais na promoção da cooperação, as mudanças climáticas, a saúde mental, a educação e a importância da democracia.
Embora concordem em muitos pontos — e Yuval reconheça que suas inspirações iniciais vieram de Jared —, dá pra perceber uma diferença clara nos pontos de vista e na articulação de cada um. Uma das questões centrais que levantaram é a ideia do santuário digital / saúde digital e sua importância. Isso me faz pensar na atual economia da atenção e em quantas mentes brilhantes no mundo estão dedicando boa parte de seus esforços para nos fazer passar cada vez mais tempo em diferentes telas. Os seres humanos são animais sociais, mas não tenho certeza de como nos adaptamos bem ao fato de conduzir a maior parte das nossas interações sociais por uma tela, e qual o impacto disso no nosso cérebro, inteligência emocional e habilidades sociais.
Jared falou sobre sua experiência pessoal com tecnologia e suas observações sobre o estilo de comunicação face a face dos Papua-novos-guineenses.
Ambos concordam que a tecnologia tem seus benefícios, mas também seus malefícios — como o vício e a perda de habilidades sociais.
Yuval acredita que o impacto da automação sobre os empregos ainda não é visível, mas à medida que a tecnologia de IA avança, seu impacto será cada vez mais significativo. Ele prevê que os países mais ricos, que lideram a revolução da automação, colherão os maiores benefícios e terão recursos para requalificar sua força de trabalho. Já o desemprego será mais sentido nos países mais pobres, que não terão recursos para requalificar seus trabalhadores. Ele acredita que a indústria têxtil na América Central e no Sudeste Asiático será afetada pela automação, gerando desemprego nessas regiões. Por outro lado, o emprego em cidades ricas como Nova York ou São Francisco deve aumentar, já que há mais demanda por engenheiros de software e professores de yoga para ensiná-los.
Recentemente, com a introdução do chatGPT, muita gente passou a dizer que talvez os empregos de colarinho branco sejam os mais afetados — a menos que aprendamos a usar a IA a nosso favor.
Quanto ao tema da educação e do que/como podemos preparar as gerações futuras, me surpreendi com os exemplos americanos trazidos por Jared. A resposta de Yuval sobre esse tema é coerente com o que ele vem dizendo em outros fóruns. Pensando nisso pessoalmente, preciso dizer que estou muito impressionado com a qualidade do sistema de educação pública de Singapura. Minha filha frequenta uma escola primária pública normal em Singapura. Lá, eles ensinam (em versão kids) os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes! Incrível! Além disso, há uma ótima combinação de currículo acadêmico e desenvolvimento de habilidades sociais. Singapura consegue fazer isso por causa de seu tamanho, mas ainda assim estou muito impressionado.
Agora que nossa família se mudou para os EUA há mais de um ano, aqui está o que Sophie pensa sobre as diferenças entre o ensino primário de Singapura e o dos EUA, a Califórnia em particular.
Voltando à conversa, você pode assisti-la na íntegra no YouTube abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=VLXHnGVp7ZU
Abraços,
Chandler




