Por que se comportar bem é o primeiro passo para se tornar alguém que vale a pena seguir
Antes de liderar outras pessoas, você precisa dominar a regra de ouro — e entender que grandes ideias transcendem barreiras de idioma e diferenças culturais.
Quando falo em se comportar bem, estou falando da regra de ouro: "trate os outros como você gostaria de ser tratado."
Reconheço que existem nuances e diferenças, especialmente entre civilizações como a ocidental, a sínica (que abrange países como China, Vietnã e Coreia), a islâmica, a japonesa, a hindu, entre outras. Ainda assim, há valores universais fundamentais que transcendem culturas.
O "teste do jornal" é uma ótima forma de avaliar se o seu comportamento é aceitável. Imagine como você se sentiria se o seu comportamento fosse publicado no jornal local ou no boletim interno da empresa. Você agiria da mesma forma? Se não, provavelmente é melhor evitar aquele comportamento.
Abaixo estão algumas recomendações práticas, principalmente se você trabalha num ambiente multinacional.
Fluência em inglês não é sinônimo de pensamento de alta qualidade
Embora o inglês seja considerado o padrão global dos negócios, muitas pessoas não são completamente fluentes. O futuro do idioma nos negócios parece incerto agora que cada vez mais pessoas aprendem outros idiomas. O chinês, por exemplo, está crescendo porque a China é a segunda maior economia do mundo.
Mesmo que você fale um idioma estrangeiro com fluência, isso não garante que seus pensamentos e ideias sejam de alta qualidade. Se tiver dúvidas, tente expressar esses mesmos pensamentos em outro idioma. Com essa lógica em mente, seja paciente com quem não é falante nativo de inglês — é um esforço maior para eles se comunicar verbalmente, mas o respeito é sempre percebido e correspondido. Já aprendi ótimas ideias com pessoas de culturas muito diversas!
Entenda e valorize as diferentes normas culturais
Com o mundo cada vez mais conectado, é comum ter colegas de culturas diferentes. Uma grande diferença entre oriente e ocidente é o individualismo versus o coletivismo.
Por exemplo, muitos profissionais do mundo ocidental acham as reuniões em países orientais (especialmente no Leste Asiático) "desconcertantes" e "estranhas". As pessoas geralmente não falam muito nem fazem perguntas na reunião. Também não entram em confrontos diretos. Isso não significa que são passivas ou que não têm ponto de vista. Elas têm. É que culturalmente conduzem suas reuniões e expressam suas opiniões de forma diferente. Então fique atento a isso e não assuma entendimento ou alinhamento completo só porque não ouviu objeções na reunião.
"Quem sabe, não fala. Quem fala, não sabe." — Lao Tzu (China)
"O vento uiva, mas a montanha permanece imóvel." — Provérbio japonês
"Busque primeiro entender, depois ser entendido" — do livro "Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes", de Stephen Covey.
Presuma boa intenção em primeiro lugar, até que seja provado o contrário
No mundo dos negócios, frequentemente nos deparamos com decisões que nos confundem ou até parecem loucas à primeira vista. Esse problema tende a se agravar à medida que as equipes cada vez mais operam em silos, comunicando-se apenas dentro dos próprios grupos.
Acredito que, dado o processo seletivo que a maioria das empresas aplica para avaliar adequação à função e à cultura, podemos assumir com segurança que nossos colegas são apaixonados e talentosos. Além disso, na maioria dos casos, diferentes equipes dentro de uma empresa compartilham um propósito comum.
Com esses dois fundamentos, faz sentido partir do princípio de que nossos colegas pensaram com cuidado antes de tomar suas decisões, com base no que sabiam naquele momento, e fizeram o melhor possível. E tem boa chance de que, se estivéssemos no lugar deles, com o mesmo contexto, teríamos tomado a mesma decisão. Lembre-se: seus colegas querem que dê certo tanto quanto você.
"Presumir boa intenção" não é fácil no começo, mas com o tempo se torna mais natural. Se sua reação emocional inicial for intensa, tente dormir com o assunto. Resista ao impulso de dizer algo ou tomar uma decisão imediata. Sei que pode ser tentador — e até satisfatório — liberar sua "raiva", mas o sentimento pode não durar :)
Na maioria das vezes, conseguimos ampliar nossa compreensão — e consequentemente encontrar uma solução mais completa — ao presumir que os outros colegas têm uma lógica por trás do que inicialmente pareceu uma "decisão maluca."
Até em situações simples: quando um colega demora para responder, em vez de pensar que ele está sendo preguiçoso, você pode presumir que ele tem algo mais urgente para resolver e que vai retornar assim que possível.
Não estou sugerindo que isso valha para toda organização ou pessoa. A política de escritório e as agendas pessoais às vezes levam pessoas a tomar decisões que não beneficiam a equipe como um todo. Mas, em vez de se desanimar com isso, tente entendê-lo para que possa levar isso em conta na sua abordagem.
É isso de mim.
Você já vivenciou esse gap de comunicação cultural que descrevi acima — especialmente em reuniões entre equipes orientais e ocidentais? Como você navigou essa situação? Adoraria ouvir suas histórias.
Abraços,
Chandler
