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··3 min de leitura

O poder de assumir intenção positiva

Assumir intenção positiva transformou a forma como lido com decisões desconcertantes no trabalho — é o pré-requisito para empoderar equipes e evitar a armadilha do controle centralizado.

Recentemente, um amigo me perguntou sobre minha abordagem para lidar com diferenças culturais e formas de trabalho entre países e regiões. O contexto era o seguinte: trabalhando em uma multinacional, frequentemente nos deparamos com decisões tomadas por colegas em outros mercados que nos deixam confusos — ou até parecem loucas à primeira vista.

Já passei por isso muitas vezes. E preciso admitir: meu primeiro instinto nem sempre foi generoso.

A vez que errei feio

Alguns anos atrás, um dos nossos times locais lançou uma campanha que, no papel, parecia uma péssima ideia. O targeting estava torto, a alocação de budget não fazia nenhum sentido para mim, e o criativo era completamente diferente do que tínhamos alinhado no nível regional. Minha reação inicial? Tinha certeza de que eles não tinham entendido o brief ou simplesmente não estavam nem aí.

Comecei a redigir um e-mail bem incisivo. Felizmente, resolvi dormir antes de enviar.

No dia seguinte, entrei em uma call com o time local. Descobri que eles tinham informações sobre um movimento de concorrente que nós, no nível regional, não conhecíamos. As decisões "malucas" deles eram, na verdade, uma resposta rápida e inteligente às condições do mercado local. Se eu tivesse enviado aquele e-mail, teria danificado o relacionamento e ainda ficado mal na foto.

Aquele momento mudou minha forma de lidar com essas situações.

Por que o controle centralizado parece seguro (mas não é)

Quando as decisões "desconcertantes" dos times locais se acumulam, a tentação é partir para um modelo centralizado — em que cada país tem poder de decisão mínimo e precisa de aprovação do líder regional ou global para quase tudo.

Se esse modelo funciona para você, ótimo! Existem muitas formas de resolver um problema :) Mas se você ainda quer tentar o modelo descentralizado — empoderar os times locais para tomar suas próprias decisões —, acredito que o primeiro pré-requisito é a suposição de intenção positiva.

Como assumir intenção positiva na prática

Com um processo de contratação sólido, você parte do princípio de que a empresa traz membros talentosos e apaixonados. Então faz todo sentido orientá-los e empoderá-los para fazerem o trabalho deles, em vez de microgerenciar cada decisão à distância.

"Assumir intenção positiva" é muito difícil no começo, mas fica mais fácil com a prática. Algumas coisas que me ajudaram:

  • Durma antes de responder. Se sua reação emocional inicial for forte, resista ao impulso de responder imediatamente. Eu sei como é tentador — como parece libertador soltar a frustração. Mas esse alívio é passageiro, e o estrago pode ser duradouro.
  • Pergunte antes de julgar. Muitas vezes, ao partir do pressuposto de que um membro da equipe deve ter razões válidas por trás de uma "decisão maluca", ampliei meu entendimento e cheguei a soluções melhores.
  • Lembre que eles também querem que dê certo. Sua equipe quer que o projeto tenha sucesso tanto quanto você. Aquele colega que não respondeu a tempo? Em vez de supor preguiça, considere que ele tinha algo mais urgente para resolver e responderia assim que possível.

Uma ressalva

Óbvio que não sou ingênuo a ponto de achar que isso vale para todos, em todas as organizações. Política de escritório e agendas pessoais existem, sim. Em vez de deixar isso me desanimar, acho que ajuda entender a gama de motivações para poder levá-las em conta na sua abordagem.

Isso me transformou

Assumir intenção positiva me ajudou muito na vida profissional e pessoal. Me ajudou a crescer, a ser uma versão melhor de mim ao longo do tempo. E espero que ajude você também. Então, se você ainda não tentou — comece :)

Você já presumiu o pior sobre a decisão de um colega e descobriu que estava errado? Adoraria ouvir sua história.

Abraços,

Chandler

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