"Inquérito sobre Plataformas Digitais da Comissão Australiana de Concorrência e Consumo" – Vale a leitura
O regulador de concorrência australiano publicou um relatório de 600+ páginas baseado em evidências sobre plataformas digitais — achei que as 23 recomendações específicas são leitura obrigatória para entender privacidade de dados.
A Australia Competition and Consumer Commission (ACCC) publicou recentemente o relatório final do "Inquérito sobre Plataformas Digitais". O relatório completo é extenso (mais de 600 páginas), então eles também publicaram um resumo executivo.
Fiquei sabendo deste relatório por indicação de um colega. Ele sabe que tenho estudado mais sobre privacidade de dados e inovação. Ele achou que o relatório poderia ser útil — e realmente é.
O relatório usa uma abordagem baseada em evidências (pelo menos pela minha leitura do resumo executivo). A linguagem é direta, com dados relevantes. Ele traz 23 recomendações específicas para o governo australiano e outras agências. Embora o relatório mencione os benefícios das plataformas digitais globais de grande escala, pela natureza do inquérito, a maior parte trata dos danos atuais e potenciais para consumidores, empresas e o governo (caso não tomem medidas).
Plataformas digitais, neste contexto, incluem mecanismos de busca online, redes sociais e outras plataformas de agregação de conteúdo digital. Duas empresas específicas são destacadas no inquérito por sua influência, tamanho e relevância. Dados claros são usados para articular o que a ACCC entende por influência, tamanho e relevância — participação de mercado, participação de receita, crescimento futuro, viés de padrão, etc.
Das 23 recomendações, concordo com a maioria. Para mim, isso representa uma excelente oportunidade para plataformas digitais, empresas de mídia, editoras e outras partes interessadas se engajarem ativamente com o governo para trabalhar e debater as políticas que virão. Se nada mais, o inquérito evidencia a necessidade de mais reformas e novos estudos.
- Gosto da recomendação dez sobre subsídios para o jornalismo local. Embora não tenha certeza, com base em dados, se o subsídio é a melhor forma de apoiar o jornalismo local, acredito que ele é essencial para a democracia.
- A literacia em mídia digital na comunidade (recomendação 12) e na escola (recomendação 13) são ambas importantes. Fake news não é novidade — existe há milhares, dezenas de milhares de anos (as chamadas "bruxas" sendo queimadas ou a história da medicina são exemplos). O que mudou é que as plataformas digitais tornaram a disseminação de fake news mais fácil e barata do que nunca.
- A recomendação 17 sobre uma reforma mais ampla da lei de privacidade australiana parece absolutamente necessária.
Também gosto das referências a outros relatórios significativos publicados por governos ao redor do mundo. Os leitores podem se aprofundar com base nessas referências. Um relatório que também vale a leitura é "Regulating in a digital world" da House of Lords, Select Committee on Communications.
Ainda há muito a ser feito na área de "privacidade de dados e inovação", "o que isso significa na era da quarta revolução industrial" e o equilíbrio de poder entre consumidores, indústrias e governos.
Espero que você curta o relatório tanto quanto eu,
Chandler


